Santa Casa! O MEU DESABAFO * Vicente Estanislau Ribeiro.

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Ultimamente, ando aborrecido e revoltado com os rumos e acontecimentos que envolvem a minha querida Jacarezinho.
Aqui nasci e aprendi a amá-la e defendê-la com unhas e dentes, não importando em quais condições ou situações.
Mas, a minha, a sua e a nossa secular e amada Instituição da comunidade, denominada Santa Casa de Misericórdia, de caráter filantrópico, está na atualidade, como o de seus pacientes, desassistida.
Entidade centenária que tem uma linda história de caridade, humanitarismo e acolhimento, desde a sua criação, hoje padece lentamente.
No início de sua criação, famílias se uniram, como a do Barão, Scyllas César Peixoto, doando uma área de terras, a família de Américo Alves Pereira, doando madeiramento e a família Aguiar, aportando regularmente recursos para a maternidade que leva o seu nome, Eliza Aguiar, e outras tantas mais que contribuíram nessas décadas todas, além de empresas e anônimos que sempre ajudaram nessa grande caminhada do bem e amor ao próximo.
Para que não haja injustiças, em nome do médico pioneiro da Instituição, Dr. Caldas, estendo a todos os profissionais que lá trabalharam e ainda trabalham, se dedicaram, protagonizaram e vivenciaram a trajetória histórica do hospital, a gratidão de todos nós.
Dos médicos renomados do passado e que já se foram, nenhum deles se enriqueceu, todos eles tinham uma coisa em comum, a palavra “compaixão” em seu viver e um amor incondicional pela sua profissão.
Quem não se recorda das Irmãs de Caridade que por muitos anos, estiveram à frente do hospital com o seu inestimável e valoroso trabalho.
E, a equipe de funcionários da enfermagem, limpeza, manutenção e administração que sempre vestiram a camisa da entidade com garra e determinação; muitos lá se aposentaram.
Não tem como falar no presente, sem mencionar o passado.
Nos dias atuais, é sabido que das 1.824 Santas Casas no Brasil, a maioria delas sobrevivem com muita dificuldade por serem filantrópicas.
Isso, não é segredo para ninguém, mas a nossa Misericórdia de Jacarezinho vinha até então, caminhando similarmente, com dificuldades sim, mas atendendo os pacientes no Pronto Socorro e honrando os seus compromissos.
É fato notório que a Instituição também não acompanhou a evolução de seu tempo; pois aqui, já tivemos e conseguimos perder: hemodiálise, neonatal, e o Dr. Paulo Diniz, quando presidente, antes de sair, deixou tudo pronto, um espaço, onde era antigamente, a morada das irmãs para a instalação dum braço da oncologia.
Mas, por falta de visão ou de interesses ocultos, não se sabe como, não deram prosseguimento no feito.
Pasmem! Atualmente, os nascimentos de Jacarezinhenses são feitos na cidade vizinha de Santo Antônio da Platina. Isso é motivo de constrangimento, diante da estrutura que tem a nossa Santa Casa, e que já foi referência hospitalar. É vexaminoso!
É uma alegria e orgulho para os pais seus filhos serem “Bicho do Paraná”, nascendo na cidade onde moram e não em outro município, a não ser por questões médicas de alto risco.
Os pacientes com cirurgias eletivas marcadas, aquelas que podem esperar e serem agendadas, hoje são destinadas e feitas em Carlópolis que, até a pouco tempo, nem hospital o município tinha.
E, recentemente, o prefeito Platinense confirmou uma extensão do Hospital do Câncer de Londrina à cidade para atendimento de consultas, exames, biópsias e quimioterapia para toda a região.
Já a algum tempo a nossa co-irmã vizinha já detinha o título de cidade Polo Comercial do Norte Pioneiro, pois agora, também será Polo na área da Saúde.
Hoje, a situação está um tanto complicada em Jacarezinho, a pessoa que precisar de um atendimento médico, não saberá no primeiro momento, se o seu caso é de urgência ou não, e vai ter dificuldades na sua decisão. Onde ir primeiro, no P.S (Pronto Socorro) ou no P.A.P (Pronto Atendimento Primário) da Prefeitura?
Às vezes, horas perdidas e até mesmo minutos podem significar o salvamento de vidas.
Aqui fica o meu desabafo com os acontecimentos que vêm ocorrendo em nossa cidade, um Jacarezinhense indignado, e que sempre amou e se orgulhou de sua terra natal; mas, que hoje, vejo a situação da nossa Santa Casa de Misericórdia, numa fila, agonizando, à espera de uma vaga na U.T.I para sua sobrevivência.
* Vicentinho é Licenciado em História, Bel. em Direito e Sócio Contribuinte da Santa Casa de Misericórdia de Jacarezinho.

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